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SOBRE O BNDES E O PORTO DE MARIEL

foto.jpgImagem aérea do porto de Mariel / Cuba

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem por característica única fomentar, como consta no próprio nome, o desenvolvimento. “É hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental”, conta como definição em seu portal.

Mas nem sempre foi assim. Até 2002, o BNDES era usado, quase que exclusivamente, para pagar dívidas de grandes empresas. Em geral, grupos que em nada contribuíam – ou contribuem – com o desenvolvimento econômico e social do país.

Globocabo. Empresa da família Marinho de canais de tevê a cabo. O banco detinha à época 4,8% das ações, mas “investiu” 284 milhões de reais para pagar uma dívida de R$ 1,6 bilhão. Sendo que desses, R$ 514 milhões já venciam no mesmo ano de 2002. Na prática o principal banco de fomento nacional salvou a Globocabo da bancarrota.

Cabe lembrar que naquela época, apenas a Globo conseguia empréstimos do BNDES. SBT e Bandeirantes cansaram de dar com a cara na porta.

O total de empréstimos concedidos pelo BNDES à Globo durante o governo FHC foi de 2,2 bilhões de reais.

A partir de 2003 com a posse Lula, o BNDES começou a dar fim à sua postura de salva-vidas de empresas endividadas. José Dirceu, então ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República afirmou que a partir daquele momento “dinheiro [do BNDES] só para fomentar desenvolvimento, jamais pagar dívidas”. Daí sai uma boa porcentagem do ódio da Globo a Dirceu.

É claro que nos últimos anos muitos empréstimos do BNDES, mesmo que objetivando o fomento da economia, foram polêmicos e, eu ou você, temos discordâncias. Até mesmo alguns negócios foram mal sucedidos. Mas não há como negar que o BNDES passou a cumprir seu papel de origem.

Como exemplo, temos o financiamento de um shopping Center no bairro do Morumbi em São Paulo. O banco investiu R$ 74,3 milhões em 2007. Porém esse tipo de financiamento não cria chiadeira na imprensa grande ou mesmo entre a classe média tradicional. E esse luxuoso shopping financiado com recursos do banco estatal está barrando os jovens da periferia por causa dos “rolezinhos”. Vale a máxima de que dinheiro público só para ricos.

A mais recente polêmica sobre os financiamento do BNDES é o porto de Mariel em Cuba. O banco investiu US$ 682 milhões. O total da reforma do porto custou US$ 957 milhões. Sendo que para que o BNDES realizasse esse financiamento, Cuba teria que investir em compra de bens e serviços no Brasil. O investimento cubano por aqui foi na ordem de US$ 800 milhões. Cerca de 500 empresas brasileiras participaram do projeto e a geração de empregos chegou a 156 mil.

A importância de esse porto é sua localização. Está a poucos quilômetros dos EUA e do canal do Panamá, que dá passagem ao Oceano Pacífico. As exportações brasileiras só têm a ganhar com o porto de Mariel. Além do mais, para os opositores do regime cubano, isso põe Cuba na rota do capitalismo. Pode-se até dizer que o Brasil deu um choque de capitalismo na ilha caribenha. Mas os opositores preferem manter a imagem em suas cabeças de que Cuba vive dois séculos atrás.

Vários países do mundo, dentre os quais os mais ricos, utilizam esse tipo de financiamento de obras em terras estrangeiras. Japão e EUA são exemplos disso. Mas o espírito de porco parece ter fincado pé no Brasil e não quer sair.

Leia o disse a BBC: De grande profundidade, ele poderá receber navios gigantes, capacidade que poucos portos da região têm, inclusive na costa americana. Ele é modernizado no momento em que ocorrem também as obras de ampliação do canal do Panamá.

Após a reforma, o canal será a rota de passagem de navios "pós-panamax", com três vezes mais capacidade de levar contêineres que as embarcações que trafegam pelo local atualmente.

Em outro trecho segue que “dessa forma, o Brasil teria um posto avançado para exportar inicialmente para a América Central e depois eventualmente para os Estados Unidos, segundo Thomaz Zanotto, diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Federação das Indústrias dos Estados de São Paulo (Fiesp)”.

Cabe lembrar aos desmemoriados que financiamento não é doação, é empréstimo. portanto tudo o que foi investido deverá ser pago.

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